28 de jul de 2011

Auto-retratos dos outros, e o meu

O auto-retrato é um gênero muito peculiar na arte!
Por um lado, às vezes é feito por ser o único "modelo" disponível para o pintor, ou com quem se sente à vontade: nós mesmos. É uma solução muito prática e econômica inclusive para estudar anatomia, muitos dos diversos auto-retratos de Egon Schiele tem estes viés (mas não só este!), por exemplo.
Também pode servir para uma causa bem menos nobre: a auto-promoção e vaidade. Nesta modalidade, me perdoem, mas Salvador Dali é imbatível.
Porém, ao mesmo tempo, como todo retrato, ele traz também um lado psicológico e de pesquisa sobre o retratado. Neste caso, auto-retratos acabam servindo como formas do artista expressar suas convicções, dúvida, alegrias ou mesmo a forma como se vêem. Aqui podemos citar praticamente todos os de Van Gogh, ou ainda o de Chagal com "sete dedos", retratando um peculiar momento da vida do artista.
Exemplos não faltam, e certamente é este um dos gêneros mais interessantes da pintura.

...

Eu acabei fazendo meu auto-retrato sem pretender fazê-lo.
Após planejar fazer um trabalho desenvolvendo idéias do "Amused to Death", ouvi uma opinião muito interessante de Sérgio Niculitcheff, com quem estava, então, tendo aula. Segundo ele, cada tipo de trabalho se presta melhor à uma técnica; isso fez total sentido e aquele trabalho planejado acabou virando uma colagem digital ("Adeus Maria Fulô") ao invés de uma pintura.
De qualquer forma, após naufragar a idéia original, me vi numa sinuca, com dificuldades de obter novas perspectivas e temas para minhas pinturas. Uma verdadeira crise de identidade, que me deixou bastante prostrado. Pois foi neste estado de ânimo que produzi o auto-retrato abaixo:

Auto-retrato - 2011 - 80x100cm
Acho que o trabalho retrata bem o estado de ânimo (ou seria desânimo?) do momento...

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The self-portrait is a peculiar genre in art!
On one hand, it´s sometimes made ​​out for youself being the only "model" available or the one with whom you feel comfortable with. Also, it´s a very practical and economical solution to study anatomy; many of the various self-portraits of Egon Schiele have these biases (but not only this!), for example.
It can also serve for a cause far less noble: the self-promotion and vanity. In this mode, forgive me, but Salvador Dali is unbeatable.
But at the same time, as every portrait, it also seek a psychological side and research on the portraited one. In this case, they end up being a way to the artist express his beliefs, doubt, joy or even the way them see themselves. Here we can cite almost all from Van Gogh or even Chagal with "seven fingers," depicting a peculiar moment of life of the artist.
Examples abound, and this is certainly one of the most interesting genres of painting.
 

...

I ended up doing my self-portrait without intending to.
After a sketch to made a kind of a sequel to the "Amused to Death", I heard a very interesting opinion from  Sergio
Niculitcheff, who was then giving classes. He said that each type of work lends itself better to one technique. This made total sense, and that planned work turned into a digital collage ("Adeus Maria Fulô") instead of a painting.
Anyway, after sinking the original idea, I found myself in a dead-end, struggling to gain new perspectives and themes to my paintings. A real identity crisis. This was the mood in which I produced my self-portrait...

I think the work shows well my current state of mind at that moment ...

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